Ciclo Formativo “A prática da ecologia”
Nós, do Grupo de Pesquisa e Ecologia das Práticas (GPEP), somos um coletivo que desde o ano de 2016 discute, no contexto da Associação de Pesquisas e Práticas em Humanidades (APPH), as diferentes vertentes teórico-práticas do que chamamos de “pensamento ecológico”.
Com este campo em perspectiva, reunimos aqui atividades informativas e educativas que trabalham, conceitual e politicamente, um conjunto de temáticas e fabulações que constituem a proposta do 7º Festival Kino Beat e as Histórias de Outros Reinos.
Para contar Histórias de Outros Reinos, preparamos conversas e oficinas ministradas por convidados especiais cujos ouvidos se voltam para uma composição de ecos de naturezas distintas, que se produzem e ressoam entre mundos. Por uma harmonia singular entre os dizeres de amizades e referências importantes para a nossa trajetória de pesquisa, nossas conversas olharão para o horizonte; e também para certas relações multiespécies, para as populações por elas contaminadas e para os territórios ou sistemas que estas conexões podem produzir ou reinventar.
Esperamos que o ciclo de interlocuções possa tecer e transmitir, em consonância com a presente edição do Festival Kino Beat, os ritmos e os desenhos de uma ecologia que reverbera em nós e nos contagia.
A Prática da Ecologia – 09/11 – 19h
Fernando Silva e Silva
Léo Tietboehl
Luísa Muccillo
Para abrir o ciclo A prática da ecologia, integrantes do Grupo de Pesquisa em Ecologia das Práticas vão contar um pouco sobre a trajetória do grupo e apresentar o processo de concepção do ciclo. Conversaremos sobre as diferentes atividades e convidadas e convidados que compõem esse percurso de reflexões e falaremos um pouco sobre o tema de cada mesa e oficina.
MESA 1 – 22/11, 19h
Cosmologias, bichos, corpos
Juliana Fausto e André Araújo
Mediador: Fernando Silva e Silva
Esta conversa vai tratar das conexões entre cosmologias e a produção de corpos e bichos. Corpos e bichos se transformam a depender da ecologia de práticas em que estão inseridos. Alguns são matáveis, outros são sagrados e outros causam indiferença. Em um contexto de mudanças climáticas, disputas territoriais e luta por direitos raciais, étnicos e ambientais, buscamos compreender o papel das cosmologias e cosmopolíticas em pensar o encontro de práticas que criam bichos e corpos.
MESA 2 – 30/11, 11h
O fim da Natureza e as mudanças climáticas
Alyne Costa e Fernando Silva e Silva
O diálogo deste encontro se situa diante do problema das mudanças climáticas e se pergunta: pode aquilo que chamamos de Natureza nos guiar neste momento? A Natureza é uma ideia mais recente do que imaginamos, seu nascimento data do início da modernidade, e ela atravessa nossos modos de pensar e agir. As atitudes que ela evoca são a preservação, a conservação e o respeito, todas criadoras de um certo distanciamento. Mas de que ideias será que precisamos para nos misturar com as dobras da Terra? Compor nossos modos de vida junto com aqueles de ambientes, animais, vegetais e bactérias?
MESA 3 – 23/11, 19h
Entre-mundos: construindo alianças, paisagens e territórios
Marília Kosby e Antônio Bispo
Mediadora: Luísa Muccillo
Nesta mesa, vamos conversar sobre as paisagens, os modos de vida e os territórios que são produzidos no intercâmbio de seres entre quilombos e terreiros. As religiões de matriz africana e as comunidades negras, rurais ou urbanas, compartilham mundos em trânsito e modos diversos de existir que contrapõem a aceleração racista e ecocida do chamado desenvolvimento econômico. Seguindo o faro de animais, ervas, gentes e espíritos, vamos pensar na biointegração enquanto alternativa civilizatória que a cosmoecologia negra tem proposto desde sempre.
MESA 4 – 27/11, 11h
O povo, a terra e suas tecnologias: fazer as imagens de um futuro comum
José Messias e Sueli Maxakali
Mediador: Léo Tietboehl
Na companhia de algumas imagens, pensaremos como determinadas tecnologias podem conceber prospectos a contrapêlo, retomando lutas raciais e pela terra para procurar inventar meios de interagir com e fabular um futuro, no presente. Pela convocatória dos dizeres de outras espécies – orgânicas, maquínicas ou divinas –, procuraremos os meios de produzir e legitimar alternativas às definições não pluralizadas da subjetividade, de visões de mundo ou das relações entre reinos. Neste percurso, artes da narrativa serão nossas fortes aliadas, em função das brechas que fazem na constelação do possível.
MESA 5 – 29/11, 19h
Colocar o corpo no espaço: produzir a luta
Leila Saraiva e Uyra Sodoma
Neste encontro, associaremos os usos do corpo, no espaço, com formas de luta organizada que se produzem a favor de outros modos de viver junto e em contraposição à hegemonia do mercado. No ensejo dessa conversa, talvez desfaçamos alguns limites entre um e outrem, entre o individual e o comum, entre um humano e o que ultrapassa essa categoria, para pensar as reinvenções e as potencialidades que se podem produzir desde a reunião de diferentes seres em um mesmo conjunto, produzindo movimento.
OFICINA 1 – 22/11, 14h-17h – ZOOM/APPH
Buscando a letra xucra – animais e as escritas contra-hegemônicas
Marília Kosby
15 vagas. Sem pré-requisitos. Serão desenvolvidos exercícios de escrita.
Emissão de certificados pela APPH.
Essa proposta de oficina visa apontar trilhas para a experimentação daquilo que a escritora e pesquisadora chicana Gloria Anzaldúa chamou de escrita encarnada. Nossas interlocutoras principais nessa empreitada serão vacas, galinhas, cavalos, elefantes, donna haraway, wilson bueno, davi kopenawa, hilda hilst, lorena souto, cesar aira e por aí se vai, a galope…
Essa oficina aproximará a criação poética das vivências cotidianas e da oralidade, de forma a fomentar as manifestações e experiências artísticas para além das concepções mercadológicas e institucionais hegemônicas. Será dada ênfase ao uso equilibrado – porém subversivo – de figuras de linguagem como metáforas, aliterações, ironia, bem como ao emprego sutil de rimas, visando uma sensibilidade estética e ética que subverta clichês.
OFICINA 2 – 29/11, 14h-18h – ZOOM/APPH
Pesquisa e aliança, pesquisa e… militância?
Luísa Pontes Molina
20 vagas para inscritos participantes. 50 vagas para inscritos ouvintes.
Emissão de certificados pela APPH.
Este será um espaço para refletir sobre os modos pelos quais nossas pesquisas estão implicadas nos contextos em que se situam, e como nos colocamos em relação com aqueles que partilham desses contextos – “anfitriões”, “interlocutores”, “companheiros de pesquisa”, “sujeitos das pesquisas” etc. Nosso principal objetivo é discutir o que provém dessa implicação e dos modos de colocar-se em relação: em suma, de que maneiras nossas pesquisas podem se deixar afetar, e como extrair todas as consequências disso. Trata-se de um debate sobre estabelecer alianças na pesquisa (alianças políticas porque epistemológicas, e vice-versa) e suas diversas expressões – entre elas, aquilo que se pode traduzir em termos de “militância”, “ativismo” etc.
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